Prefeitura alegou prejuízos à população e aos servidores municipais; decisão determina manutenção do atendimento presencial
A Justiça da Bahia concedeu uma liminar impedindo o fechamento da única unidade bancária do Banco Bradesco no município de Macururé, localizado na região do Vale do São Francisco. A decisão foi proferida pela 1ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais de Chorrochó após ação movida pela Prefeitura Municipal.
Segundo o município, o banco havia comunicado que encerraria as atividades presenciais da agência local e transferiria as contas dos clientes para a cidade vizinha de Chorrochó. A instituição argumentou que os canais digitais e correspondentes bancários seriam suficientes para atender a população.
No entanto, a prefeitura sustentou que a medida causaria sérios transtornos aos moradores, especialmente idosos, aposentados e pessoas com dificuldades de acesso à internet ou aos serviços digitais. Além disso, o Bradesco mantém contrato para gerenciamento da folha de pagamento dos servidores municipais, o que ampliaria os impactos da mudança.
A distância entre Macururé e Chorrochó é de aproximadamente 34 quilômetros, obrigando muitos moradores a se deslocarem para realizar operações bancárias básicas, como saques, depósitos e emissão de cartões. Representantes do Sindicato dos Bancários da Bahia afirmam que grande parte dos clientes atendidos na unidade é formada por aposentados e idosos.
Na decisão, o juiz determinou que o Bradesco mantenha integralmente a estrutura física e os serviços presenciais da agência em Macururé. A instituição também foi proibida de transferir compulsoriamente as contas dos clientes para outra cidade e deverá garantir a continuidade dos serviços bancários essenciais.
Em caso de descumprimento da ordem judicial, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil, podendo o valor ser ampliado conforme avaliação da Justiça.
O caso ocorre em meio ao processo de reestruturação promovido pelo Bradesco em diversas regiões do país. Nos últimos anos, dezenas de agências foram fechadas na Bahia, especialmente em municípios de pequeno porte, gerando questionamentos sobre os impactos sociais e econômicos da redução do atendimento presencial.
A decisão foi recebida com alívio por moradores e autoridades locais, que consideram a permanência da agência fundamental para garantir inclusão financeira, movimentação da economia local e atendimento digno à população.






