Montagem de balsa especializada marca avanço das obras e abre caminho para a cravação das primeiras estacas metálicas que darão sustentação à maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina.
A construção da Ponte Salvador–Itaparica alcançou um novo marco com a conclusão da montagem da balsa Belov Jaguaribe, embarcação que será responsável por dar suporte às primeiras operações marítimas da obra. Adaptada em um estaleiro localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, a estrutura funcionará como um verdadeiro canteiro de obras flutuante, reunindo equipamentos de grande porte e tecnologia especializada para a instalação das estacas metálicas que sustentarão a futura ponte.
A mobilização da embarcação representa a transição dos trabalhos realizados em terra para uma das etapas mais complexas e estratégicas do empreendimento: as intervenções diretamente no leito da Baía de Todos-os-Santos.
Segundo o gerente-geral de construção da CCCC Second Harbor, Francisco Miguel, a cravação das estacas será realizada em duas fases distintas para garantir precisão e segurança. Inicialmente, um martelo vibratório será utilizado para iniciar a penetração das estruturas metálicas no solo marinho. Na sequência, entra em operação o martelo hidráulico, equipamento responsável pela cravação definitiva das estacas até a profundidade prevista no projeto de engenharia.
A Belov Jaguaribe foi equipada para suportar operações de alta complexidade, contando com guindastes de grande capacidade, sistemas hidráulicos e vibratórios, além de toda a infraestrutura necessária para permitir que as equipes trabalhem em alto-mar com segurança e eficiência.

Logística marítima reforçada
Além da Belov Jaguaribe, outras embarcações terão papel fundamental na execução da obra. As balsas Saga 10 e Saga 12 serão responsáveis pelo transporte das estacas metálicas, equipamentos e demais materiais entre o canteiro instalado em São Roque do Paraguaçu e os pontos de execução no mar.
Antes do início efetivo das operações, a balsa passa por uma série de testes técnicos e estudos de estabilidade. As avaliações verificam fatores como equilíbrio, capacidade de carga e flutuabilidade, garantindo que toda a estrutura opere dentro dos mais rigorosos padrões de segurança durante a instalação das fundações da ponte.
Indústria baiana ganha protagonismo
Além do avanço físico da obra, a montagem da Belov Jaguaribe também evidencia a participação da indústria local no projeto. De acordo com o porta-voz da concessionária responsável pela Ponte Salvador–Itaparica, Carlos Prates, cinco empresas baianas participam diretamente da adaptação da embarcação.
A iniciativa fortalece a cadeia produtiva do estado, impulsiona a geração de empregos especializados e amplia os impactos econômicos de um empreendimento considerado estratégico para a infraestrutura nacional.
Obra considerada transformadora
Com aproximadamente 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, a Ponte Salvador–Itaparica será a maior ponte da América Latina em trecho marítimo. O empreendimento promete reduzir significativamente o tempo de deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica, além de impulsionar o desenvolvimento econômico, turístico e logístico de dezenas de municípios do Recôncavo Baiano e do Baixo Sul.
A chegada da Belov Jaguaribe às operações representa mais do que um avanço operacional. O início da cravação das estacas simboliza a entrada da obra em uma fase concreta de execução marítima, aproximando um projeto aguardado há décadas da sua efetiva construção e consolidando mais um passo rumo à transformação da mobilidade na Bahia.






