Decisão anunciada neste domingo (14) ocorre após pressão de processos no STF e determina posse do suplente do PL-SP
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) oficializou, neste domingo (14), sua renúncia ao mandato na Câmara dos Deputados, conforme comunicado divulgado pela Câmara dos Deputados por meio de nota oficial da Secretaria-Geral da Mesa — decisão que marca um ponto de inflexão na trajetória política da parlamentar em meio a intensos embates judiciais e políticos.
Em comunicado, a Câmara informou que a parlamentar apresentou sua renúncia ao mandato à Secretaria-Geral da Mesa, efetivada na data desta domingo. Com a saída de Zambelli, o cargo será ocupado pelo suplente Adilson Barroso, do Partido Liberal de São Paulo (PL-SP), que recebeu o maior número de votos entre os suplentes da legenda.
Pressão judicial e contexto por trás da renúncia
A decisão de Zambelli ocorre em um contexto de forte pressão institucional. Na última semana, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para confirmar a perda de seu mandato em razão de condenações criminais, determinando a anulação da votação na Câmara que anteriormente havia mantido sua cadeira e ordenando a posse do suplente em até 48 horas.
A ação no STF estava relacionada à condenação da parlamentar a 10 anos de prisão por envolvimento em invasão ao sistema eletrónico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ― um crime cibernético que resultou tanto na condenação penal quanto em pedidos formais de perda de mandato e extradição.
Além disso, Zambelli enfrentava um processo de cassação em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, bem como notificações relacionadas à perda de direitos políticos decorrentes de sua condenação no Supremo.
Suplente deve assumir ainda nesta segunda
Com a renúncia, o presidente da Câmara deve proceder à convocação de Adilson Barroso, que deve assumir a vaga ainda nesta segunda-feira (15). A movimentação atende à determinação judicial e aos trâmites regimentais da Casa, que prevêem a substituição imediata em casos de vacância de mandato.
Repercussão e próximos desdobramentos
Analistas políticos veem a renúncia como uma tentativa de Zambelli
mitigar os impactos institucionais e jurídicos que a cassação de mandato – determinada pelo STF – poderia trazer aos seus direitos políticos no futuro. A estratégia pode influenciar a forma como seu caso e eventuais processos conexos sejam avaliados em instâncias eleitorais e judiciais.
Ao longo de 2025, a parlamentar já havia enfrentado diversos embates legais e políticos, incluindo notificações sobre a possível perda do mandato e decisões contrárias na Câmara.
Com a renúncia consumada, encerra-se um capítulo conturbado da carreira de Zambelli no Congresso, ao mesmo tempo em que se abre espaço para o novo ocupante da cadeira, em um cenário político já marcado por grandes debates sobre limites institucionais e o papel do Judiciário e do Legislativo em casos de condenações criminais de parlamentares.





