Valença ganha projeção internacional com o CosmoAngola 2026

Evento no Kilombo Tenondé reúne saberes afro-diaspóricos, capoeira e sustentabilidade com participantes de vários países

Entre os dias 5 e 11 de janeiro de 2026, o Kilombo Tenondé, localizado no povoado do Bonfim, em Valença, tornou-se ponto de encontro de culturas e saberes ancestrais ao sediar o CosmoAngola 2026. A iniciativa conecta a Cosmologia Bakongo à Capoeira Angola para celebrar a fase de Musoni, que simboliza nascimento e renovação no Dikenga, cosmograma tradicional bakongo.

Ao longo de seis dias, a programação intensa reuniu participantes do Brasil e de países como França, Austrália e China. As atividades incluíram vivências e oficinas de Capoeira Angola, agrofloresta, plantas medicinais, bioconstrução, artesanato e rodas de troca de experiências, promovendo um diálogo profundo entre cultura, espiritualidade e práticas sustentáveis.

Nesta sexta-feira (09), o evento recebeu a visita de representantes da gestão municipal. Os secretários de Cultura e de Turismo acompanharam parte da programação e destacaram o papel estratégico do Kilombo Tenondé no fortalecimento cultural e na projeção do município.

O secretário de Cultura, David Terra, ressaltou a importância do CosmoAngola no cenário afro-brasileiro. “O CosmoAngola coloca Valença em conexão com o mundo a partir de suas próprias raízes. É um espaço de formação, reflexão e pertencimento. A Secretaria de Cultura apoia essa iniciativa com estrutura de som, projeção e suporte técnico, reconhecendo a cultura como política pública essencial”, afirmou.

Já o secretário de Turismo, Vidalto Oiticica, destacou o impacto positivo do evento para o turismo responsável. “A presença de visitantes de diferentes países amplia a visibilidade de Valença e fortalece um modelo de turismo que respeita o território, a história e as comunidades locais”, pontuou.

Idealizado pelo mestre de capoeira Mestre Cobra Mansa, o Kilombo Tenondé se consolidou como espaço de resistência, aprendizagem e convivência, inspirado na tradição dos quilombos brasileiros. Para ele, o CosmoAngola vai além de um encontro cultural. “É um momento de retomada, em que a Capoeira Angola e a Cosmologia Bakongo nos ajudam a lembrar quem somos, de onde viemos e a pensar caminhos mais justos e equilibrados para o futuro”, destacou.