OMS eleva alerta global e declara emergência internacional por novo surto de ebola na África

Avanço da doença na República Democrática do Congo e em Uganda já provocou dezenas de mortes e mobiliza autoridades de saúde em todo o mundo diante do risco de disseminação internacional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo (17) o novo surto de ebola registrado na África como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto nível de alerta sanitário emitido pela entidade. A decisão foi tomada após o crescimento acelerado dos casos na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, onde autoridades sanitárias já contabilizam mais de 80 mortes, oito casos confirmados laboratorialmente e cerca de 246 suspeitas da doença.

Segundo a OMS, o avanço do vírus representa uma ameaça significativa à saúde pública mundial devido à rápida propagação em regiões de grande circulação populacional, áreas de conflito armado e locais com estrutura hospitalar limitada. O alerta internacional busca mobilizar governos, instituições de saúde e organismos humanitários para ampliar ações de contenção, monitoramento e assistência médica nas áreas afetadas.

O epicentro do surto está concentrado na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, região historicamente marcada por instabilidade política, dificuldades logísticas e acesso precário aos serviços de saúde. Autoridades também investigam casos suspeitos em grandes centros urbanos, incluindo Kinshasa, capital congolesa, e Kampala, capital de Uganda, aumentando a preocupação com uma possível disseminação regional e internacional.

A OMS informou que o surto atual envolve a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, considerada uma das variantes mais preocupantes devido à ausência de vacinas e tratamentos específicos aprovados em larga escala. Especialistas alertam que a circulação da doença em zonas de fronteira e áreas de mineração pode favorecer o aumento da transmissão entre comunidades e dificultar o rastreamento de contatos.

Em pronunciamento oficial, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que a declaração de emergência internacional não significa que o mundo esteja diante de uma pandemia, mas reforça a necessidade de resposta imediata e coordenada entre os países. A entidade recomendou intensificação da vigilância epidemiológica, ampliação de centros de isolamento, monitoramento sanitário em aeroportos e fronteiras, além do treinamento de profissionais de saúde para atendimento especializado.

Outro fator que acendeu o alerta das autoridades foi a infecção de profissionais da área da saúde durante o atendimento aos pacientes, indicando que o vírus já apresenta transmissão ativa em múltiplas comunidades. A OMS teme ainda que o número real de casos seja superior ao oficialmente registrado devido às dificuldades de acesso às regiões afetadas e à subnotificação.

O Ebola é uma doença viral grave e altamente letal, transmitida por contato direto com fluidos corporais contaminados, como sangue, saliva e secreções. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores musculares intensas, vômitos, diarreia, fadiga e, nos casos mais severos, hemorragias internas e externas. Dependendo da cepa e das condições de tratamento, a taxa de mortalidade pode ultrapassar 50%.

A comunidade internacional acompanha com preocupação o avanço da doença, enquanto equipes médicas e organizações humanitárias intensificam esforços para impedir que o surto se transforme em uma crise sanitária ainda maior no continente africano.