Cantor popular nos anos 1970 e 1980, ele foi condenado pelo assassinato da ex-mulher, a também cantora Eliane de Grammont, morta a tiros em 1981
O cantor Lindomar Castilho, conhecido nacionalmente como o “Rei do Bolero”, morreu aos 85 anos. A informação foi confirmada por familiares nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada. Dono de uma trajetória musical marcada por grande popularidade, Lindomar também ficou para sempre associado a um dos crimes mais chocantes da história da música brasileira.
Com carreira consolidada principalmente nas décadas de 1970 e 1980, Lindomar Castilho construiu fama com canções românticas e melodramáticas que conquistaram o público popular. Entre seus maiores sucessos estão “Você É Doida Demais”, “Eu Amo a Sua Mãe” e “Fui Idiota”, músicas que lhe renderam o título de “Rei do Bolero” e milhares de discos vendidos em todo o país. A canção “Você É Doida Demais”, inclusive, voltou a ganhar destaque nos anos 2000 ao ser utilizada como tema de abertura da série Os Normais, da TV Globo.
Apesar do êxito artístico, a carreira de Lindomar foi interrompida de forma abrupta em 30 de março de 1981, quando ele assassinou a ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, durante uma apresentação em uma boate em São Paulo. Eliane foi atingida por cinco disparos e morreu no local. O crime teve enorme repercussão nacional e expôs um caso extremo de violência contra a mulher, em um período em que o tema ainda recebia pouca atenção pública.
Preso em flagrante, Lindomar Castilho foi condenado em 1984 a aproximadamente 12 anos de prisão pelo homicídio. Ele cumpriu parte da pena e deixou o sistema prisional anos depois, tentando retomar a carreira musical, mas nunca conseguiu se desvincular da tragédia. O assassinato de Eliane de Grammont se tornou um símbolo da luta contra o feminicídio no Brasil e é lembrado até hoje em debates sobre violência doméstica.
A morte do cantor reacendeu discussões nas redes sociais sobre a separação entre obra e autor. Em manifestação pública, a filha do casal, Lili De Grammont, destacou que o pai “morreu em vida” no momento em que tirou a vida da mãe, ressaltando o impacto irreversível do crime sobre a família.
Assim, Lindomar Castilho deixa um legado controverso: de um lado, o sucesso popular e a marca na música romântica brasileira; de outro, um crime brutal que ofuscou definitivamente sua trajetória artística e permanece como uma lembrança dolorosa na história cultural e social do país.





