Feminicídio pode ter punição mais dura e chegar a até 50 anos de prisão no Brasil

Propostas no Congresso e mudanças recentes na legislação buscam endurecer penas para crimes contra mulheres

O combate à violência contra a mulher tem ganhado cada vez mais espaço no debate público e no cenário legislativo brasileiro. Nos últimos anos, o país avançou no endurecimento das leis relacionadas ao feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de mulheres por razões de gênero, muitas vezes ligado à violência doméstica ou à discriminação.

Atualmente, após mudanças na legislação sancionadas em 2024, o feminicídio passou a ser considerado um crime autônomo no Código Penal, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão, além de ser classificado como crime hediondo, o que impõe regras mais rígidas para progressão de regime e concessão de benefícios penais.

A alteração foi vista por especialistas como um avanço importante na tentativa de enfrentar os altos índices de violência contra mulheres no país. Antes da mudança, o feminicídio era tratado apenas como uma qualificadora do crime de homicídio, com penas que variavam entre 12 e 30 anos de prisão.

Agravantes podem aumentar a pena

A legislação também prevê circunstâncias que podem aumentar a pena aplicada ao agressor. Entre elas estão casos em que o crime é cometido:

Durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto;

Contra menores de 14 anos, idosas ou mulheres com deficiência;

Na presença de familiares da vítima, como filhos ou pais;

Em situações de violência doméstica ou menosprezo à condição de mulher.

Nesses casos, a pena pode ser aumentada significativamente pelo juiz no momento da sentença.

Debate sobre pena de até 50 anos

Além das mudanças já aprovadas, propostas em discussão no Congresso Nacional buscam tornar a punição ainda mais severa. Entre as sugestões apresentadas está a possibilidade de elevar o limite máximo de condenação para até 50 anos de prisão em casos de feminicídio, especialmente quando houver agravantes ou extrema violência.

O debate ocorre em meio a números preocupantes. Dados de segurança pública apontam que o feminicídio segue como um dos crimes mais graves relacionados à violência de gênero no Brasil, reforçando a necessidade de políticas públicas, prevenção e punições mais rígidas.

Especialistas ressaltam que, além da punição, o enfrentamento ao problema também depende de educação, proteção às vítimas e fortalecimento da rede de apoio às mulheres em situação de risco.