Vídeo que circula nas redes sociais mostra torcedor fazendo gesto de cunho racista após vitória da Argentina; Prefeitura de Cairu repudiou o episódio e caso deve ser investigado.
Um turista argentino é acusado de praticar injúria racial durante a comemoração da vitória da Argentina em uma partida da Copa do Mundo, em Morro de São Paulo, distrito turístico do município de Cairu, no Baixo Sul da Bahia. O caso ganhou repercussão nesta quinta-feira (16), após um vídeo do episódio viralizar nas redes sociais.
Nas imagens, gravadas em um restaurante da ilha, um grupo de argentinos comemora o resultado da partida quando um dos torcedores aparece fazendo gestos que imitam um macaco em direção a um homem negro. A atitude foi interpretada como um ato de cunho racista e gerou revolta entre moradores, turistas e internautas.
Após a ampla repercussão, a Prefeitura de Cairu divulgou uma nota oficial repudiando qualquer forma de racismo, discriminação ou violência. A administração municipal afirmou que Morro de São Paulo é um destino reconhecido pela diversidade cultural e reforçou que não tolera atitudes que atentem contra a dignidade das pessoas.
O restaurante onde o episódio ocorreu também se manifestou. Em nota, o estabelecimento condenou veementemente qualquer prática discriminatória, informou que adotou as providências cabíveis e reafirmou seu compromisso com o respeito, a inclusão e a convivência harmoniosa entre clientes e colaboradores.
Até o momento, a Polícia Militar informou que não foi acionada para atender a ocorrência. A expectativa é de que o caso seja investigado pela Polícia Civil após o registro formal da denúncia pela vítima ou por testemunhas.
Crime previsto em lei
Desde 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo pela legislação brasileira. A prática é considerada inafiançável e imprescritível, podendo resultar em pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, conforme prevê a Lei nº 7.716/1989, alterada pela Lei nº 14.532/2023.
As autoridades reforçam que vítimas e testemunhas de casos de discriminação devem registrar boletim de ocorrência para que os fatos sejam devidamente apurados e os responsáveis respondam na Justiça.






