Gasolina mais cara na Bahia entra na mira de investigação federal

Alta repentina nos preços dos combustíveis levanta suspeitas de prática abusiva e será analisada por órgãos de defesa da concorrência

O aumento expressivo no preço da gasolina registrado recentemente na Bahia passou a ser alvo de investigação de órgãos federais. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitou a abertura de um procedimento para apurar possíveis irregularidades no reajuste aplicado aos combustíveis no estado.

O pedido foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar se houve prática de cartel, combinação de preços ou outras condutas que possam prejudicar a livre concorrência e impactar diretamente o bolso dos consumidores.

Nos últimos dias, motoristas baianos foram surpreendidos com aumentos significativos nos postos de combustíveis. Em alguns locais, o litro da gasolina passou a ser vendido por valores superiores a R$ 7, gerando reclamações e preocupação entre consumidores, transportadores e empresários.

Além da Bahia, outros estados brasileiros também registraram elevações no preço dos combustíveis, o que ampliou o alerta das autoridades. O objetivo da investigação é verificar se os reajustes foram justificados por fatores de mercado ou se há indícios de práticas abusivas no setor.

Um dos fatores que pode influenciar o preço na Bahia é a política de preços adotada pela Refinaria de Mataripe, administrada pela empresa Acelen desde 2021. Diferente do modelo tradicional da Petrobras, a refinaria segue uma política alinhada às variações do mercado internacional do petróleo e à taxa de câmbio, o que pode provocar reajustes mais frequentes.

Especialistas também apontam que a instabilidade no mercado global de petróleo, causada por tensões geopolíticas e oscilações no preço do barril, pode refletir diretamente nos valores praticados nas distribuidoras e, consequentemente, nos postos de combustíveis.

Caso sejam identificadas irregularidades, o Cade poderá aplicar sanções às empresas envolvidas, incluindo multas e outras medidas previstas na legislação de defesa da concorrência.

A investigação busca garantir maior transparência no setor de combustíveis e evitar que consumidores sejam prejudicados por aumentos considerados injustificados.