Flipeba em Movimento fortalece laços culturais entre Bahia e Angola com programação literária e artística em Luanda

Projeto do Coletivo Flipeba leva livro, dança e roda de conversa à capital angolana entre 27 de fevereiro e 3 de março, promovendo conexões diaspóricas e intercâmbio cultural

O projeto “Flipeba em Movimento: conexões diaspóricas entre Bahia e Angola” desembarca em Luanda, capital de Angola, entre os dias 27 de fevereiro e 3 de março de 2026, com uma programação voltada à promoção da literatura, da dança e da produção cultural do Baixo Sul da Bahia. A iniciativa busca ampliar o diálogo entre territórios historicamente ligados pela diáspora africana, tendo como ponto de partida a experiência da Festa Literária da Ilha de Boipeba (FLIPEBA).

A proposta é apresentar ao público angolano as ações desenvolvidas ao longo das quatro edições da FLIPEBA, realizada na Ilha de Boipeba, distrito do município de Cairu. Desde 2022, o evento literário vem promovendo acesso gratuito ao livro e à leitura, com foco na valorização da cultura tradicional, quilombola e periférica.

Programação reúne literatura, dança e debate

Entre as atividades previstas em Luanda está o lançamento de um livro de antologias poéticas produzidas por estudantes da rede pública do arquipélago de Cairu. A obra reúne textos desenvolvidos em oficinas literárias promovidas pela FLIPEBA, que incentivam jovens autores a refletirem sobre território, identidade e pertencimento.

A programação inclui ainda a performance “Ser Natural”, do dançarino e coreógrafo boipebano Matheus Imperial, além de oficinas de dança com ritmos afro-brasileiros. As atividades artísticas buscam evidenciar a relação entre corpo, ancestralidade e identidade cultural.

A roda de conversa “Histórias para um Futuro Possível”, conduzida pelos organizadores da FLIPEBA, Gilvan Reis e Thales de Moraes, também integra a agenda. O encontro propõe discutir a literatura como ferramenta de transformação social, fortalecimento comunitário e valorização dos saberes tradicionais. O tema foi destaque na quarta edição da festa literária, que abordou os conhecimentos ancestrais quilombolas como estratégia de resistência frente aos desafios ambientais contemporâneos.

Atividades em espaços culturais de Luanda

As ações ocorrerão em dois importantes equipamentos culturais da capital angolana. A performance “Ser Natural” será apresentada no dia 28 de fevereiro, na Biblioteca Contr’Ignorância. Já as oficinas e apresentações de dança estão previstas para os dias 1º e 3 de março, no Anim’Art – Centro de Animação Artística.

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

Intercâmbio e fortalecimento de laços históricos

Segundo a coordenação do projeto, a presença em Luanda representa um passo na consolidação de parcerias internacionais e na ampliação do alcance da produção cultural do Baixo Sul da Bahia. A proposta do intercâmbio é reforçar conexões históricas entre Brasil e Angola, a partir da circulação de artistas, educadores e produções literárias.

Em 2025, o projeto também realizou atividades em Maputo, capital de Moçambique, e participou da Flip Preta, em Paraty, ampliando sua atuação no cenário nacional e internacional.

Sobre o Coletivo Flipeba

O Coletivo Flipeba é formado por artistas, educadores e produtores culturais independentes da Ilha de Boipeba. Desde a criação da Festa Literária da Ilha de Boipeba, o grupo atua na promoção da economia criativa local, estimulando oficinas, lançamentos de livros, cineclubes, rodas de conversa, shows e apresentações culturais.

A iniciativa conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria Estadual de Cultura.

Ao levar a experiência da FLIPEBA a Luanda, o projeto reforça o papel da literatura e das artes como instrumentos de diálogo intercultural, valorização da memória e construção de futuros possíveis a partir das heranças compartilhadas entre Brasil e África.