“Mãos Fora da Groenlândia”: Milhares Protestam na Dinamarca em Defesa da Soberania do Território Ártico

Manifestantes se reúnem em diversas cidades em resposta às ameaças do presidente dos EUA de anexar a Groenlândia e em solidariedade à autodeterminação do povo groenlandês

Com faixas e gritos como “Greenland is not for sale” (A Groenlândia não está à venda) e “Hands off Greenland” (Mãos fora da Groenlândia), manifestantes se reuniram em praças centrais de Copenhague antes de marchar em direção à embaixada dos Estados Unidos. A mobilização também aconteceu em outras cidades dinamarquesas, como Aarhus, Aalborg e Odense, e houve ações programadas na capital groenlandesa, Nuuk. 

Organizadores — incluindo grupos groenlandeses na Dinamarca e a ONG ActionAid Denmark — disseram que as manifestações não apenas expressam apoio ao povo groenlandês, mas também visam enviar uma mensagem global pela defesa da democracia e do direito à autodeterminação.  

Crise diplomática impulsionada por declarações de Trump

A onda de protestos é reação direta a meses de declarações do presidente Trump sobre a importância de a Groenlândia pertencer aos Estados Unidos, citando sua localização geoestratégica e vastos recursos minerais. Trump chegou a afirmar publicamente que a ilha é essencial para a segurança dos EUA e não descartou o uso de força ou pressões econômicas — como tarifas — para obter o controle do território. 

Essas afirmações desencadearam uma crise diplomática rara entre Washington e Copenhague, apesar de ambos os países serem aliados de longa data e membros fundadores da OTAN. Líderes europeus expressaram forte desaprovação às ideias de anexação, considerando qualquer tentativa de mudar a soberania da Groenlândia como uma violação do direito internacional. 

Reações políticas e tentativas de desescalar a tensão

No esforço de aliviar a situação, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visitou recentemente Copenhague para reforçar que grande parte da classe política americana não apoia os planos de Trump e para reafirmar o compromisso dos EUA com a soberania dinamarquesa e groenlandesa. 

Paralelamente, autoridades dinamarquesas e representantes groenlandeses declararam que qualquer mudança na soberania da ilha deve ser decidida pelo próprio povo groenlandês. Alguns líderes europeus alertaram que uma tentativa de intervenção dos EUA poderia até mesmo enfraquecer a coesão da OTAN, já que implicaria um membro tentando alterar a soberania territorial de outro. 

A Groenlândia no centro de uma questão geopolítica maior

A Groenlândia, com cerca de 57 mil habitantes, tem desfrutado de autonomia desde 1979, mas ainda depende da Dinamarca em defesa e política externa. Apesar de haver apoio interno à ideia de independência total, muitos groenlandeses afirmam hoje que preferem manter laços com a Dinamarca em vez de se tornarem parte dos Estados Unidos — ainda mais em meio a pressões externas. 

A tensão também levou países europeus a participarem de exercícios militares na Groenlândia — como parte da chamada Operation Arctic Endurance — em sinal de apoio à segurança regional e à soberania do território.