Deputado preso segue utilizando verba pública e já soma mais de R$ 126 mil em gastos na AL-BA

Mesmo detido desde outubro, gabinete de Binho Galinha continua registrando despesas com marketing, consultorias e assessoria jurídica custeadas pela Assembleia Legislativa da Bahia

Preso desde o dia 3 de outubro, sob suspeita de liderar uma milícia envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro que teria atuado por mais de dez anos, o deputado estadual Binho Galinha (PRD) já acumulou R$ 126.302,32 em verbas indenizatórias pagas pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) após sua detenção.

Os valores fazem parte do sistema de ressarcimento utilizado pela Casa Legislativa para cobrir despesas relacionadas ao exercício do mandato parlamentar. De acordo com as normas internas, os gastos são reembolsados mediante apresentação de documentação fiscal e podem ser solicitados de forma retroativa, o que permite que despesas referentes a meses anteriores à prisão sejam pagas posteriormente.

Levantamento realizado no sistema de Transparência da AL-BA aponta que, já em outubro — mês em que o deputado Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, foi preso —, o gabinete parlamentar registrou R$ 11 mil em despesas com assessoria jurídica, contratada junto a uma sociedade individual de advocacia.

No mês seguinte, os gastos cresceram significativamente. Em novembro, foram contabilizadas quatro despesas distintas, incluindo serviços de divulgação da atividade parlamentar, consultoria e assessoria jurídica. Apenas os contratos relacionados ao marketing do mandato somaram R$ 35.200, divididos em dois períodos: de 3 a 20 de novembro, no valor de R$ 21.500, e de 21 a 29 do mesmo mês, no montante de R$ 13.700.

Além disso, foram ressarcidos R$ 11.201,16 referentes a serviços de consultoria e mais R$ 11 mil em assessoria jurídica, ambos firmados com a mesma sociedade de advocacia contratada no mês anterior. Com isso, somente em novembro, a AL-BA desembolsou R$ 57.401,16 para a manutenção do mandato do parlamentar, mesmo com ele preso.

O valor, no entanto, foi superado rapidamente. Em apenas 15 dias de dezembro, o sistema da Assembleia já registra R$ 57.901,16 em novas despesas indenizatórias. Os gastos seguem o mesmo padrão dos meses anteriores e incluem:

R$ 11 mil com assessorias; R$ 35.700 destinados à divulgação da atividade parlamentar, por meio de serviços de marketing direto referentes ao mês de dezembro de 2025; R$ 11.201,16 com consultorias.

A Assembleia Legislativa da Bahia permite ainda o ressarcimento de outras despesas relacionadas ao mandato, como custos com imóveis utilizados como escritório político, incluindo aluguel, condomínio, IPTU, água, energia elétrica e telefonia. Também são passíveis de reembolso gastos com deslocamento de assessores em viagens de interesse parlamentar, aquisição ou locação de softwares, assinaturas de publicações, acesso à internet, cursos, eventos institucionais, locação de veículos e serviços de segurança privada.

Conselho de Ética avalia caso, mas cassação não avança

No âmbito institucional, o caso de Binho Galinha está sob análise do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da AL-BA. Conforme prevê o regimento interno da Casa, se a conduta do deputado for considerada incompatível com o decoro parlamentar, ele pode sofrer sanções que vão desde a suspensão até a perda do mandato.

Apesar disso, até o momento, não houve avanço na pauta de eventual cassação, mesmo com a existência de prerrogativas regimentais que permitem a abertura do processo no colegiado.