Mandados, apreensão e prisão: a chegada da Operação Overclean a Wenceslau Guimarães

Polícia Federal cumpre mandado na casa do prefeito e investiga supostas irregularidades em contratos públicos firmados com verbas federais

A Polícia Federal deflagrou, na última quinta-feira (16), a sétima fase da Operação Overclean, que apura um suposto esquema de corrupção e fraudes em contratos públicos financiados com recursos federais. A ação ocorreu de forma simultânea em quatro cidades — Salvador, Riacho de Santana, Wenceslau Guimarães (na Bahia) e Arraial do Cabo (no Rio de Janeiro) — e contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB).

Em Wenceslau Guimarães, agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do prefeito Gabriel de Parísio (MDB). De acordo com informações apuradas e confirmadas por fontes da própria investigação, os policiais precisaram utilizar um “pé de cabra” para abrir a porta do imóvel e dar cumprimento à ordem judicial. Durante a diligência, o prefeito teria sido preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

A operação, segundo nota oficial da Polícia Federal, tem como objetivo desarticular organizações criminosas suspeitas de desviar recursos públicos e fraudar licitações, envolvendo verbas oriundas de emendas parlamentares destinadas a pequenos e médios municípios baianos. As investigações apontam que o grupo articulava contratos superfaturados com empresas de fachada ou de vínculos políticos diretos com gestores municipais.

Ao todo, nesta fase foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e uma medida cautelar de afastamento de agente público, além do bloqueio e sequestro de valores obtidos de forma ilícita. O montante total dos recursos sob suspeita ainda não foi divulgado oficialmente, mas a estimativa, segundo fontes ligadas à operação, pode ultrapassar milhões de reais em contratos públicos firmados nos últimos anos.

Em nota enviada à imprensa, o prefeito Gabriel de Parísio afirmou que “a visita da Polícia Federal teve caráter de averiguação documental, sem qualquer acusação direcionada”, e garantiu que “os valores destinados ao município por meio de emendas parlamentares permanecem integralmente em conta, sem qualquer movimentação, empenho ou execução”. O gestor reiterou ainda sua “confiança na Justiça” e disse estar à disposição para “colaborar com todos os esclarecimentos necessários”.

A Operação Overclean teve início em 2021, quando a PF identificou um esquema de lavagem de dinheiro e superfaturamento em contratos de limpeza urbana e coleta de resíduos. Ao longo das fases seguintes, a investigação se expandiu e passou a abranger diversos setores da administração pública municipal, revelando um possível modus operandi que envolvia empresas de fachada, agentes políticos e servidores públicos.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, peculato e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.