Complexo baiano marca primeira unidade automotiva elétrica / híbrida da China no Brasil, com capacidade inicial para 150 mil carros/ano e ambição de chegar a 600 mil unidades
A montadora chinesa BYD (Build Your Dreams) inaugurou oficialmente, nesta quinta-feira (9 de outubro de 2025), sua fábrica de veículos elétricos e híbridos em Camaçari (BA), na Região Metropolitana de Salvador. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do governador Jerônimo Rodrigues (PT), ministros do governo, executivos da BYD e autoridades estaduais.
O complexo industrial, construído com aporte de R$ 5,5 bilhões, ocupa uma área superior a 4,6 milhões de metros quadrados e é considerado o maior projeto da BYD fora da China. Neste primeiro momento, a unidade operará em regime SKD (Semi Knocked-Down), ou seja, receberá componentes parcialmente montados para serem finalizados localmente. Os primeiros modelos produzidos incluirão o elétrico Dolphin Mini e os híbridos Song Pro e King.
A capacidade inicial da fábrica é estimada em 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil unidades numa fase subsequente. A BYD já anunciou ainda a meta mais ambiciosa de alcançar 600 mil carros/ano no futuro. A expectativa da empresa é que, em plena operação, o complexo gere até 20 mil empregos diretos e indiretos.
Durante a cerimônia, o presidente da BYD, Wang Chuanfu, declarou que o empreendimento representa a realização dos “três sonhos verdes” da empresa — gerar, armazenar e utilizar energia limpa — e enfatizou que o Brasil ocupará papel estratégico no plano global da marca. Lula, por sua vez, ressaltou que a construção da fábrica em Camaçari representa “o Brasil que gera emprego”, destacando que o investimento recupera a vocação automotiva deixada pela saída da Ford da região.
Antecedentes e desafios
O terreno da nova fábrica era ocupado pela antiga unidade da Ford, que encerrou atividades em Camaçari em 2021. A BYD adquiriu ou firmou acordo para uso desse espaço, aproveitando a infraestrutura logística local.
Entretanto, o projeto enfrentou atrasos e controvérsias. A inauguração foi postergada diversas vezes, primeiro prevista para o final de 2024, depois para o primeiro semestre de 2025. Também foram registradas denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão, envolvendo prestadores de serviço durante a construção da unidade. Em resposta, a BYD informou que rompeu o contrato com a construtora envolvida e que vem colaborando com as autoridades para regularizar a situação.
Além disso, até o momento não há cronograma oficial claro para a nacionalização completa da produção (incluindo etapas de estamparia, soldagem, pintura e fabricação de baterias) — expectativa que é de que esse processo ocorra gradualmente a partir de 2026.





