Medida atinge exportações brasileiras a partir de 1º de agosto; governo Lula promete retaliação e prejuízos podem chegar a bilhões
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, em uma decisão que acirra a crise comercial e diplomática entre os dois países. A nova taxação entra em vigor já em 1º de agosto e deve afetar diretamente setores como café, suco de laranja e carne bovina, pilares da exportação brasileira para o mercado norte-americano.
A medida foi tomada com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), sob a alegação de que o Brasil representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Trump ainda acusou o governo brasileiro de adotar políticas que prejudicam empresas americanas e desrespeitam princípios de liberdade de expressão. Além disso, há especulações de que o ato também represente uma retaliação política à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
As reações no Brasil foram imediatas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como “inaceitável” e prometeu retaliações proporcionais, sinalizando a possibilidade de adotar tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos. O Itamaraty já trabalha em ações diplomáticas e jurídicas para contestar a decisão nos fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
A nova tarifa gerou alarme entre produtores e exportadores. A CitrusBR, entidade que representa o setor de sucos, afirmou que a medida poderá tornar inviável a comercialização com os EUA, com risco de demissões em massa e fechamento de fábricas. Estimativas apontam que só o estado de São Paulo pode ter um prejuízo de até 2,7% do PIB estadual, com impacto direto em mais de 100 mil empregos.
Especialistas avaliam que o decreto pode enfrentar resistência jurídica dentro dos próprios EUA, onde decisões anteriores baseadas na IEEPA já foram contestadas em tribunais federais. Ainda assim, o efeito imediato sobre o comércio bilateral promete ser severo e duradouro.
Em um momento de forte instabilidade política internacional, a escalada entre Washington e Brasília representa um novo capítulo nas tensões entre nacionalismo econômico e multilateralismo, e deve influenciar os mercados globais nos próximos meses.






