Manifestação reunindo ativistas, tutores de animais e cidadãos mobiliza movimentos em todo o Brasil em resposta à brutal agressão que resultou na eutanásia do cão comunitário em Florianópolis e reacende debate sobre maus-tratos e legislação de proteção animal.
Neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, centenas a milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato que começou por volta das 10h da manhã em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) para exigir justiça pela morte do cão comunitário Orelha, cujo caso ganhou repercussão nacional após violência que terminou com a eutanásia do animal devido à gravidade das lesões.
O protesto, marcado por cartazes, palavras de ordem e a presença de animais de estimação acompanhando seus tutores, reuniu ativistas da causa animal, cidadãos sensibilizados e defensores de leis mais rígidas contra maus-tratos, transformando o nome de Orelha em símbolo da luta contra a violência a animais. Manifestantes exigiram responsabilização dos envolvidos no caso, punições mais severas e mudanças na legislação, além de debates sobre a redução da maioridade penal em casos de crimes graves, tema que surgiu em muitas falas durante o ato.
O caso que motivou a mobilização começou no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis (SC), onde Orelha — um cão comunitário muito conhecido e querido pelos moradores — foi encontrado ferido após agressões por um grupo de adolescentes investigados pela Polícia Civil de Santa Catarina. As agressões foram tão graves que, apesar de cuidados veterinários, o animal precisou ser submetido à eutanásia.

As investigações policiais apontam a participação de quatro adolescentes suspeitos de infligir violência ao cão, e três adultos — dois pais e um tio — foram indiciados por coagir testemunhas no decorrer do inquérito, que corre sob sigilo devido ao envolvimento de menores. Dois dos adolescentes chegaram a viajar para os Estados Unidos logo após o ocorrido, mas retornaram ao Brasil nos últimos dias, diante da pressão das investigações.
No ato da Paulista, os manifestantes se concentraram no vão do MASP e seguiram por parte da avenida com gritos como “justiça para Orelha”, “assassinos, não são crianças” e outras expressões de revolta, destacando que a brutalidade do crime chocou profundamente a opinião pública e reacendeu o debate sobre como a sociedade e o sistema de Justiça tratam casos de crueldade contra animais. Muitos participantes destacaram que casos como esse não devem ficar impunes e que políticas públicas mais firmes e eficazes são necessárias para proteger animais vulneráveis e punir responsáveis por maus-tratos.

A manifestação integrou um movimento mais amplo de mobilizações em diversas capitais brasileiras, com atos registrados ou previstos em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, Sorocaba, São José dos Campos e Porto Alegre, refletindo a comoção nacional provocada pelo episódio e o desejo crescente de mudanças legais e culturais em relação à proteção animal.
A repercussão do caso do cão Orelha tem sido sentida também nas redes sociais e entre organizações de defesa dos direitos dos animais, que utilizam a indignação pública para ampliar a discussão sobre punições mais duras para crimes de crueldade e para pressionar por reformas na legislação que sejam consideradas mais proporcionais à gravidade desses crimes.
A mobilização deste domingo na Avenida Paulista é um marco no movimento de defesa dos direitos dos animais no Brasil em 2026, unindo vozes de diferentes setores da sociedade em torno de um pedido claro: justiça para Orelha e transformação do clamor popular em ações concretas no campo jurídico e social.





