Carla Zambelli é presa na Itália após 55 dias foragida: fim da linha para aliada de Bolsonaro

Condenada a 10 anos pelo STF por falsidade ideológica e invasão de sistema do CNJ, deputada foi capturada em Roma com ajuda da Interpol; Brasil pede extradição imediata

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), uma das figuras mais próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi presa nesta segunda-feira (29), em Roma, capital da Itália, após 55 dias foragida da Justiça brasileira. A captura foi realizada em uma operação conjunta entre a Interpol, a Polícia Federal brasileira e autoridades italianas, marcando um desfecho dramático para um dos casos de maior repercussão política do ano.

Zambelli foi condenada em maio de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão em regime fechado, por falsidade ideológica e por participação direta na invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação que contou com a ajuda do hacker Walter Delgatti Neto. O esquema incluiu a inserção fraudulenta de mandados de prisão falsos, inclusive contra o ministro Alexandre de Moraes.

Diante da sentença, Zambelli optou por fugir do país. Saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina, passou pelos Estados Unidos e se refugiou na Itália, onde possui cidadania italiana e acreditava estar juridicamente protegida. No entanto, o STF decretou sua prisão preventiva em junho e a colocou na “lista vermelha” da Interpol, possibilitando sua localização e detenção em solo europeu.

A denúncia sobre seu paradeiro partiu do deputado italiano Angelo Bonelli, que informou a autoridades italianas o endereço onde Zambelli estaria hospedada em Roma. A prisão foi realizada poucas horas depois, em um apartamento de classe média da capital italiana. A deputada não ofereceu resistência e, segundo nota da Polícia Federal, será submetida ao processo legal de extradição conforme tratado vigente entre Brasil e Itália.

Enquanto isso, no Brasil, o processo de cassação de seu mandato já estava em andamento. Desde o fim de maio, Zambelli teve o mandato suspenso pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e posteriormente pelo próprio STF. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados já foi notificada sobre a prisão e deverá concluir o processo de cassação de forma célere. “É inadmissível que uma parlamentar, condenada pela mais alta Corte do país, continue a ostentar mandato enquanto foge da Justiça”, afirmou o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

A repercussão política da prisão foi imediata. O Partido dos Trabalhadores (PT) e demais siglas da base governista apontam a prisão como símbolo do esgotamento do bolsonarismo mais radical. “Zambelli foi símbolo da mentira e do ataque às instituições democráticas. Agora vai responder como qualquer outro cidadão que viola a lei”, afirmou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Já integrantes da oposição acusam perseguição política e denunciam o que chamam de “ativismo judicial”.

Juristas ouvidos pela imprensa consideram que a extradição deverá ocorrer em breve, já que há jurisprudência favorável e o tratado bilateral está em pleno vigor. No entanto, o processo pode ser postergado por recursos da defesa na Justiça italiana. Até lá, Zambelli deverá permanecer detida em território italiano, à disposição das autoridades internacionais.

A prisão da deputada encerra, ao menos por ora, uma das fugas mais acompanhadas do cenário político recente. Símbolo de uma direita radicalizada e protagonista de diversos episódios polêmicos ao longo do mandato, Carla Zambelli agora vê seu futuro político e pessoal comprometido. De estrela do bolsonarismo a foragida capturada, o destino da parlamentar será decidido nas próximas semanas — agora, nos tribunais de Roma e Brasília.