Cerca de 40% dos servidores do instituto no estado aderiram à paralisação; categoria contesta mudanças administrativas e cobra diálogo com a presidência do órgão
A crise entre servidores e a direção nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chegou à Bahia com a deflagração de uma greve que já mobiliza parte significativa do quadro funcional no estado. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (17), aproximadamente 40% dos servidores baianos aderiram à paralisação, que ocorre em meio a uma disputa envolvendo mudanças na gestão do órgão e reivindicações trabalhistas.
A mobilização faz parte de um movimento nacional articulado pela ASSIBGE-SN, entidade que representa os trabalhadores do instituto. O indicativo de greve foi aprovado para começar em 5 de agosto e passou a ser submetido às assembleias realizadas nos estados.
Na Bahia, a paralisação ganhou força nos últimos dias e colocou novamente em evidência o conflito entre a categoria e a administração comandada pelo presidente do IBGE, Marcio Pochmann.
Mudanças na gestão estão no centro da crise
Entre os principais pontos de discordância estão alterações promovidas ou anunciadas pela atual administração no modelo de funcionamento do instituto.
Os servidores questionam mudanças relacionadas ao regime de trabalho, ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD), às condições oferecidas aos novos servidores e às indenizações destinadas aos profissionais que trabalham em atividades de campo.
A categoria também critica aspectos relacionados à carreira, progressão funcional e às condições de trabalho dos servidores aprovados no último concurso público.
Para o sindicato, as medidas adotadas pela atual direção vêm sendo implementadas sem diálogo suficiente com os trabalhadores e representam uma mudança significativa na forma como o instituto vinha funcionando.
IBGE+ também provoca reação
Outro ponto que alimenta a crise é a proposta envolvendo a IBGE+, iniciativa apresentada pela atual gestão como parte de uma estratégia de modernização e ampliação da capacidade institucional do órgão.
A proposta, entretanto, encontrou resistência entre os servidores. A representação sindical questiona os efeitos que a mudança poderá produzir sobre a estrutura do instituto e sobre as relações de trabalho.
A entidade também demonstra preocupação com o modelo de gestão e com o que considera risco de enfraquecimento da estrutura pública responsável pela produção das principais estatísticas oficiais do país.
Direção defende reorganização
A direção do IBGE sustenta que as mudanças fazem parte de um processo de modernização administrativa e padronização das condições de trabalho.
Segundo a administração, existem atualmente diferenças significativas entre os regimes adotados na sede do instituto, nas superintendências estaduais e nas agências espalhadas pelo território nacional.
A direção argumenta que a reorganização busca estabelecer critérios mais uniformes e reduzir desigualdades internas, além de melhorar a eficiência administrativa.
A administração também afirma que as medidas estão inseridas em um processo mais amplo de fortalecimento e modernização do instituto.
Paralisação não interrompe, até o momento, principais divulgações
Apesar da greve, o calendário nacional de divulgação dos principais indicadores produzidos pelo IBGE segue mantido.
O instituto é responsável por pesquisas fundamentais para o acompanhamento da economia e das condições sociais brasileiras, incluindo dados sobre inflação, mercado de trabalho, atividade econômica, população, renda e condições de vida.
Até o momento, a paralisação não provocou uma interrupção generalizada do calendário de divulgações.
O cenário, entretanto, pode mudar caso a adesão ao movimento aumente e alcance atividades diretamente relacionadas à coleta, processamento e análise de informações.
Movimento pode ganhar dimensão nacional
Além da Bahia, outras unidades do IBGE também registraram mobilização dos servidores. O movimento ocorre em um momento de forte tensão interna e pode ganhar maior dimensão caso novas assembleias estaduais aprovem a paralisação.
A categoria afirma que as negociações com a administração chegaram a um ponto de esgotamento e reivindica a retomada do diálogo sobre as medidas consideradas mais controversas.
A greve, portanto, não se limita a uma disputa salarial. O conflito envolve modelo de gestão, condições de trabalho, carreira, organização interna e o futuro institucional do IBGE.
Bahia registra uma das mobilizações
Com cerca de 40% de adesão, a Bahia se tornou um dos estados onde a mobilização ganhou maior visibilidade. A paralisação afeta parte das atividades realizadas pelos servidores, embora os impactos sobre a produção estatística nacional ainda sejam limitados.
O percentual também demonstra que existe uma divisão significativa entre os trabalhadores diante das mudanças implementadas pela direção nacional.
Enquanto o sindicato cobra revisão das medidas e maior participação dos servidores nas decisões, a direção do IBGE defende a necessidade de reorganizar estruturas que considera defasadas.






