Decisão evidencia divisão entre aliados e oposição e marca nova derrota política do Planalto
O Congresso Nacional impôs mais um revés ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao derrubar, nesta quarta-feira (30), o veto presidencial ao chamado Projeto de Lei da Dosimetria, que trata de critérios para aplicação de penas em crimes contra o Estado Democrático de Direito. A votação contou com apoio expressivo da bancada da Bahia, onde a maioria dos parlamentares votou contra a posição do governo federal.
No placar geral, a derrubada do veto foi aprovada com ampla margem. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos favoráveis à derrubada contra 144 pela manutenção. Já no Senado, 49 parlamentares votaram para rejeitar o veto, enquanto 24 defenderam sua manutenção. Com isso, o texto originalmente aprovado pelo Congresso passa a valer.

🇧🇷 Bancada baiana dividida, mas com maioria contra o governo
Apesar da forte presença de partidos aliados ao Planalto, a bancada da Bahia apresentou divisão. Ao todo:
- 17 deputados votaram pela derrubada do veto
- 15 votaram para mantê-lo
- 6 não participaram da votação
- 1 parlamentar se absteve
O resultado demonstra que, mesmo em um estado considerado estratégico para o governo, não houve alinhamento pleno com a orientação do Executivo.
Chamou atenção o posicionamento de parlamentares ligados à base governista que optaram por votar contra o veto, como o deputado Pastor Sargento Isidório e Sérgio Brito, evidenciando fissuras na articulação política do governo dentro do Congresso.
⚖️ O que muda com a derrubada do veto
Com a decisão, o projeto volta a ter validade conforme aprovado originalmente pelos parlamentares. A proposta altera regras de dosimetria penal, impactando diretamente a forma como juízes definem penas em crimes relacionados à tentativa de abalo das instituições democráticas.
O tema ganhou relevância nacional por envolver discussões sobre punições ligadas aos atos antidemocráticos registrados nos últimos anos, incluindo episódios como os de 8 de janeiro.
⚠️ Novo sinal de fragilidade na base governista
A derrubada do veto é interpretada nos bastidores de Brasília como mais um indicativo de dificuldade do governo em manter coesão entre seus aliados. Mesmo com articulação prévia, o Planalto não conseguiu evitar a derrota, repetindo um padrão recente de votações desfavoráveis em pautas sensíveis.
Analistas políticos avaliam que o episódio reforça o protagonismo do Congresso Nacional e a crescente independência de bancadas estaduais, que têm votado de acordo com interesses próprios, muitas vezes divergindo das orientações partidárias e do governo federal.
📊 Cenário político
O resultado acende um alerta para o Palácio do Planalto, que precisará intensificar a articulação política para evitar novas derrotas. Ao mesmo tempo, fortalece o Legislativo como ator central nas decisões estratégicas do país, sobretudo em temas de grande repercussão jurídica e institucional.
Pela derrubada do veto:
- Adolfo Viana (PSDB)
- Arthur Oliveira Maia (União Brasil)
- João Carlos Bacelar (PL)
- Capitão Alden (PL)
- Claudio Cajado (PP)
- Diego Coronel (Republicanos)
- Elmar Nascimento (União Brasil)
- Jorge Araújo (PP)
- José Rocha (União Brasil)
- Leur Lomanto Júnior (União Brasil)
- Marcelo Nilo (Republicanos)
- Márcio Marinho (Repubicanos)
- Pastor Sargento Isidório (Avante)
- Paulo Azi (União Brasil)
- Roberta Roma (PL)
- Rogéria Santos (Republicanos)
- Sérgio Brito (PSD)





