Atitudes do deputado Nicolas reacendem discursos extremistas, banalizam a democracia e levantam o alerta sobre a repetição do roteiro que levou ao 8 de janeiro
O Brasil parece viver um ciclo perverso em que certos políticos transformam o caos em estratégia e a provocação em método. A mais recente encenação protagonizada pelo deputado federal Nicolas é mais um capítulo dessa triste novela, onde o mandato popular vira palanque para alimentar radicalismo, confusão institucional e guerra ideológica nas redes sociais.
Não é coincidência. É cálculo. É método. É a velha política do “quanto pior, melhor”, travestida de discurso moralista. Ao estimular narrativas golpistas, flertar com o descrédito das instituições e brincar perigosamente com símbolos e discursos que remetem ao 8 de janeiro, o deputado não age como representante do povo — age como influencer da desordem.
O Brasil ainda tenta se levantar da vergonha internacional causada pela invasão das sedes dos Três Poderes. Aquilo não foi protesto. Foi crime. Foi ataque direto à democracia. Foi resultado de meses — e até anos — de discursos irresponsáveis, mentiras repetidas como verdades e líderes políticos que empurraram seus seguidores para o abismo, mas depois lavaram as mãos.
E agora querem repetir o roteiro? Querem reacender a chama da instabilidade para ganhar curtidas, engajamento e manchetes? A democracia não é palco para reality show político. O Congresso não é estúdio de gravação para performance ideológica. O mandato não é fantasia de super-herói patriota.
Enquanto o deputado investe energia em polêmicas fabricadas, o povo brasileiro enfrenta a realidade dura: hospitais lotados, salários baixos, alimentos caros, insegurança nas ruas, jovens sem perspectiva e cidades abandonadas pelo poder público. Mas isso não rende likes. Não viraliza. Não alimenta bolhas digitais. Então, para alguns, é melhor apostar no circo.
O mais grave é que esse tipo de postura não afeta apenas o ambiente político. Ela envenena relações sociais, divide famílias, incentiva o ódio e normaliza o ataque às instituições. Cria-se uma geração que passa a enxergar a democracia como inimiga e o autoritarismo como solução. Um retrocesso perigoso, que a história já mostrou onde termina.
Ser deputado federal deveria significar responsabilidade histórica. Significa entender que cada palavra dita tem peso, impacto e consequência. Mas, ao que tudo indica, para Nicolas e seus aliados ideológicos, o compromisso não é com o Brasil real — é com o Brasil fictício das narrativas fabricadas, das fake news e da eterna campanha eleitoral.
Chega. O país não aguenta mais políticos que se comportam como agitadores profissionais. O Brasil precisa de parlamentares que legislem, fiscalizem e proponham soluções, não de personagens que vivem de criar crises para se manter relevantes.
A democracia não é perfeita, mas é o único caminho civilizado. Brincar com o fantasma do 8 de janeiro não é bravata política: é irresponsabilidade histórica. E a sociedade precisa deixar claro que não aceitará novos ataques disfarçados de “liberdade de expressão”.
O povo quer trabalho, estabilidade, respeito e futuro. Não quer mais palhaçada travestida de patriotismo.





