Nova Rodoviária de Salvador nasce como polo de mobilidade, negócios e transformação urbana

Terminal começa a operar nesta terça (20) e promete aquecer a economia, gerar empregos e redefinir o desenvolvimento da região de Águas Claras e bairros vizinhos

A partir da próxima terça-feira (20), Salvador passa a contar oficialmente com um novo marco de infraestrutura urbana. A Nova Rodoviária da Bahia – Terminal Salvador inicia suas operações com a proposta de ir além da função tradicional de embarque e desembarque, assumindo o papel de um grande centro integrado de mobilidade, serviços e desenvolvimento econômico.

Instalado no bairro de Águas Claras, o novo terminal já começa a provocar mudanças visíveis na dinâmica da região e no cotidiano de moradores de bairros estratégicos como Pirajá, Cajazeiras e Subúrbio Ferroviário. A expectativa é de que o empreendimento impulsione a geração de empregos, aqueça o comércio local e valorize o mercado imobiliário.

Moradora do Solar Vista Mar, nas proximidades da Estação Campinas do Metrô, em Pirajá, a técnica de enfermagem Jaqueline Garcia enxerga a chegada da rodoviária como um divisor de águas para a comunidade. “Além de criar novas oportunidades de trabalho, a tendência é valorizar os imóveis e melhorar a infraestrutura da região”, destacou.

A percepção positiva também é compartilhada por quem vive nas imediações da Brasilgás. Para a comerciária Fernanda Coutinho, o novo equipamento urbano deve atrair investimentos e ampliar a oferta de serviços. “Com mais circulação de pessoas, surgem novas lojas, mais comércio e mais opções para quem mora aqui”, avaliou.

Com números robustos, o Terminal Salvador impressiona pela dimensão e pela estrutura moderna. O complexo ocupa uma área total superior a 127 mil metros quadrados, sendo cerca de 41 mil metros quadrados de área construída. O projeto foi concebido como um verdadeiro hub de transporte, integrando metrô, ônibus urbanos, metropolitanos e intermunicipais, além de previsão futura de conexão com o VLT.

A expectativa é de que aproximadamente 20 mil passageiros circulem diariamente pelo terminal, com cerca de mil ônibus realizando operações de embarque e desembarque todos os dias, o que deve impactar diretamente a mobilidade da capital baiana.

Mas a nova rodoviária não se limita à função de transporte. O espaço abriga mais de 200 pontos comerciais e uma ampla rede de serviços essenciais, incluindo unidade do SAC, clínica médica, farmácias, delegacia, restaurantes, lanchonetes e lojas diversas. O conceito adotado segue padrões semelhantes aos de grandes aeroportos, priorizando tecnologia, acessibilidade, conforto e sustentabilidade.

No setor imobiliário, os reflexos já começam a ser percebidos. A Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) aponta crescimento no interesse por empreendimentos residenciais e comerciais de perfil popular na região, um movimento diferente do modelo corporativo que predominava no entorno da antiga rodoviária.

Incorporadoras que já atuam na área intensificaram a busca por terrenos para novos projetos habitacionais, impulsionadas pela demanda crescente de famílias que desejam morar próximas a um polo de transporte e serviços.

Especialistas avaliam que os impactos da nova rodoviária tendem a ser mais rápidos e intensos do que os observados há cerca de cinco décadas, quando o antigo terminal foi transferido para o eixo da Avenida ACM–Tancredo Neves. Desta vez, o empreendimento foi implantado em uma região já urbanizada, densamente povoada e com forte atividade comercial.

Para o governador Jerônimo Rodrigues, o Terminal Salvador representa muito mais do que uma obra de infraestrutura. “É um investimento estratégico que fortalece o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, amplia o acesso da população ao emprego, à renda e cria novas oportunidades para Salvador e toda a Bahia”, afirmou.

Com a inauguração, a capital baiana passa a contar com um equipamento moderno que promete redefinir o fluxo urbano, estimular a economia regional e consolidar Águas Claras como um novo eixo de crescimento da cidade.