Procissão mais tradicional do Brasil leva multidão às ruas da capital paraense em um espetáculo de devoção e cultura popular
Belém viveu, neste domingo (12), um dos momentos mais marcantes de sua história recente. Cerca de 2,5 milhões de fiéis acompanharam a 233ª edição do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a maior manifestação católica do país e uma das maiores do mundo, que transformou as ruas da capital paraense em um mar de fé, cores e emoção.

A procissão principal teve início com a tradicional missa na Catedral da Sé, celebrada às 6h15 pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, que durante a homilia enviou recados em português e inglês, reforçando o caráter universal da devoção mariana. Às 7h28, a imagem da Padroeira dos Paraenses foi colocada na berlinda, dando início à caminhada de 3,6 quilômetros até a Praça Santuário, onde chegou por volta do meio-dia — cerca de meia hora antes do previsto.



Durante o percurso, a berlinda percorreu o centro histórico de Belém, passando por pontos simbólicos como o Ver-o-Peso — a maior feira a céu aberto da América Latina —, a Estação das Docas e a Praça da República, enquanto uma multidão rezava, cantava e expressava a fé com gestos de emoção e gratidão.
Assim como em todos os anos, histórias de promessas, milagres e devoção se multiplicaram ao longo do trajeto. Uma das cenas mais comoventes foi protagonizada pela jovem Giovana Nogueira, que participou de seu terceiro Círio dançando passos de balé da Catedral da Sé até a Basílica de Nazaré. “A cada ano eu agradeço uma graça alcançada e peço uma nova bênção. É o meu jeito de agradecer à Mãe de Nazaré”, contou, emocionada.


A Festa de Nazaré, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, segue com programação intensa ao longo do mês de outubro, reunindo celebrações religiosas, eventos culturais e manifestações populares que culminam no Recírio, no dia 27 de outubro, encerrando oficialmente os festejos de 2025.
Mais do que uma procissão, o Círio de Nazaré é um símbolo de esperança, fé e identidade do povo paraense — um testemunho vivo de que a devoção à Mãe de Jesus segue unindo gerações em um dos maiores espetáculos de fé do planeta.





